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Sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
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IGREJA ABALADA Padre acusado de estuprar criança |
Edson Arantes da Redação Daniel Rodrigues da Redação
“Ele arrancou minhas roupas, me jogou na cama e abusou de mim. Depois, pediu para eu guardar segredo, senão, não me levaria para São Paulo”. O relato é de uma garota de apenas 11 anos, moradora da zona sul de Franca. O autor da agressão sexual, um padre. O segredo veio à tona e caiu feito uma bomba na Igreja Católica. Integrante do clero da Diocese de Santo Amaro, a mesma do padre Marcelo Rossi, Juscelino de Oliveira, 38, o acusado, nega. A Polícia Civil não tem dúvidas de seu envolvimento e o indiciou pelo crime de estupro. Exames médicos comprovaram que a menina manteve relações sexuais.
O abuso sexual foi denunciado à polícia pelos pais da garota em outubro do ano passado e divulgado ontem pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher). A princípio, os policiais não sabiam que o acusado era um padre. Juscelino Oliveira foi ordenado no dia quatro de dezembro de 2004. Atualmente, é o administrador da Paróquia de Santa Edwiges, situada no Jardim Noronha, em São Paulo.
Ele vem a Franca duas vezes ao ano em média, normalmente durante as férias, para visitar a mãe, uma aposentada que mora no Jardim Aeroporto. Quando está na região, costuma se hospedar na fazenda de um tradicional político da cidade. O padre é primo do pai da garota que o acusa e tinha o hábito de freqüentar a casa da família.
Foi numa dessas visitas que ele teria deixado a batina de lado e perdido a cabeça. “Foi durante as férias. Ele não tinha telefone e pediu a chave de casa para fazer uma ligação para São Paulo. Minha filha foi junto para abrir a porta. Era só uma desculpa. O sem-vergonha a levou para a minha cama e abusou dela”, disse a dona de casa Otacília Pereira de Oliveira, 50. Na oportunidade, a filha dela ainda tinha dez anos.
A menina guardou segredo por alguns meses, mas revelou a história em outubro durante uma inocente brincadeira de criança com uma prima da mesma idade. Elas estavam no quarto e brincavam de trocar confidências sobre quem já teria levado o namorado para cama. Em determinado momento, a menina disse para a prima que já havia transado com o padre.
A outra garota contou a descoberta para a mãe dela, que ligou na mesma hora para a mãe da vítima. A família da menina ficou revoltada e denunciou o caso à polícia no dia seguinte. “Abrimos um inquérito para apurar a ocorrência e submetemos a garota ao exame de corpo de delito. O laudo feito pelo IML constatou que ela manteve conjunção carnal”, contou a delegada Graciela Ambrósio.
Com base no resultado do laudo e no relato de testemunhas, a delegada indiciou o padre por estupro e disse que pediria sua prisão preventiva caso não se apresentasse para prestar depoimento. Na tarde de quarta-feira, temendo ser preso, ele compareceu à delegacia acompanhado de um advogado. Admitiu que freqüentava a casa da menina, mas disse que nunca tocou no corpo dela.
A delegada Graciela enviará o inquérito com as denúncias à Justiça até o fim do mês. Caso seja condenado, o padre poderá pegar de seis a dez anos de reclusão. Na tarde de ontem a reportagem procurou por padre Juscelino na casa de sua mãe. Ela atendeu e disse que ele havia saído de casa e não sabia quando voltaria. O advogado do padre, Wilson Inácio da Costa, disse não ter ‘nada a declarar’. A Arquidiocese de São Paulo informou que não tem conhecimento do caso e que só vai comentar o assunto quando a investigação estiver concluída.
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