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CIÊNCIA E TECNOLOGIA Do you know my blog? |
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Rodolfo Tiengo da Redação
Quinta-feira, 11h30. Na Escola Estadual “Professora Ana Maria Junqueira”, Vila Raycos, as estudantes Camila Rodrigues e Letícia Góes, ambas de 17 anos, estão no meio de uma aula semanal de inglês. Na sala de informática, elas navegam, em banda larga, por blogs e um site de relacionamento. Algo errado? Não. Isso apenas faz parte das aulas do professor Cléder José Colares, 52, que incentiva os jovens a aprender inglês por meio da internet.
O professor quebrou o paradigma de que blogs representam “conteúdo impróprio” e decidiu utilizar as ferramentas virtuais preferidas dos jovens. Ele visualizou um potencial educativo que complementa e estimula o aprendizado da língua inglesa.
O projeto “Minha escola aberta para o mundo” foi concebido por Cléder em 2004, assim que ele começou a trabalhar na escola, que também é conhecida por desenvolver desde 2005 atividades para o Educarede, outro programa de inclusão digital. “Desde que entrei, procurei utilizar as ferramentas. Aos poucos, demos um jeito de fazer os alunos se acostumarem com sua utilização”, disse.
Foi nessa época que surgiu a idéia de cada uma das 14 classes criar seu próprio blog, com a intenção de facilitar a comunicação entre o professor e 560 alunos da 5ª série do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio. Cada sala elege um aluno que atua como administrador da página. Eles se dividem em grupos e publicam suas tarefas e fotos através dos 18 computadores disponíveis na sala de informática. “O blog é algo interessante porque pela internet posso passar tarefas e os alunos podem divulgar atividades realizadas, além de fotos das classes”, afirmou Cléder.
A proposta de utilizar e estimular a criação de páginas on-line é apenas uma parte do projeto. Cléder decidiu ir além. Desde o ano passado, estimulou que os jovens, monitorados, criassem contas de e-mail para se comunicar com estudantes de escolas de outros países. O contato se dá através do portal norte-americano E-pals (www.epals.com). Até o momento, eles interagiram com instituições da Holanda, Estados Unidos, Alemanha, Polônia, Dinamarca e Canadá.
Ao final do período letivo, os jovens terão de apresentar, valendo nota, as correspondências trocadas com os estrangeiros. “Temos de ter a noção de que a sala de aula perdeu as paredes; a sala de aula agora é o mundo”, ressaltou o professor.
Os estudantes adoram a idéia e dão respostas positivas. “Acho muito legal. O professor coloca links no blog para acessarmos e fazermos pesquisas. Além disso, nos correspondemos com estudantes de fora. Isso torna o aprendizado mais divertido e a aula não vira uma rotina”, afirma Camila Rodrigues, do 3º ano.
Para a coordenadora pedagógica do ensino médio, Elisa de Araújo Junqueira, a informatização do ensino público embute uma necessidade de inclusão social e profissional. “O aluno que não consegue trabalhar com informática está fora do nosso mundo. O nosso aluno ainda tem certa defasagem com relação ao de escola particular, por não ter computador em casa”, afirma.
Ao mesmo tempo, ela acredita que os segredos do sucesso do projeto são a determinação de propósitos concretos e a participação do professor. “Os alunos só descem para a sala de informática se apresentarem uma proposta de trabalho”, garante Elisa. A diretora da escola, Aracilda Malta Ferreira, comenta a iniciativa e a abertura a este tipo de projeto. “Nos dias atuais, é prioridade esse contato com a internet”, afirmou.
E-PALS
A ferramenta que tem auxiliado Cléder na sua didática é o E-Pals, portal desenvolvido por uma ONG norte-americana que permite o intercâmbio de informações entre docentes e alunos de escolas do mundo todo. A diferença com relação aos provedores convencionais é o fator segurança. O sistema somente permite a troca de e-mails cadastrados no site, além de ter um processo opcional de filtragem de mensagens. Os alunos da escola “Ana Maria” relataram à reportagem que, por intermédio do E-Pals, tiveram contato com outras culturas, inclusive fatos inusitados, tais como o hábito de estudantes do Estado do Kansas, nos Estados Unidos, criarem porcos como animais de estimação. |
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